NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO

PROJETOS NAS ESCOLAS E NAS EMPRESAS: ISSO NÃO É APENAS COINCIDÊNCIA

Há algo em comum entre a metodologia baseada em projetos - ABP - aplicada nas aulas de algumas escolas e o que está sendo proposto em relação a projetos de inovação nas empresas ao redor do mundo atualmente?


Projetos nas escolasEmbora não seja exatamente uma novidade, pois já foi aplicada no século XX em algumas áreas do conhecimento e em alguns momentos por diversos atores, a metodologia da ABP - Aprendizagem Baseada em Projetos ou Problemas; em inglês PBL, Problem ou Project Based Learning - está ganhando cada vez mais adeptos no mundo e sendo, de fato, avaliada como eficaz - que dá resultado - (Gijbels et al., 2005) no processo de ensino-aprendizagem nos dias de hoje.

E o que significa educação eficaz nesse momento que vivemos? Aquela que prepara os alunos para a vida numa sociedade que tem acesso a informações de todos os tipos e qualidades; que vive no período pós-industrial e num mundo globalizado e em rede.

É, também, aquela que prepara para um mercado de trabalho que exige cooperação, atitude, senso crítico e a tão propagada solução de problemas.

Nessa perspectiva, quando se propõe um projeto que resolva um problema da vida real colocado aos alunos - que eles próprios podem até escolher -, está se desejando, na verdade, algo novo, inovador e não mais do mesmo.
A ideia é ser criativo e inovador, ou seja, que a criatividade resulte em algo de valor que possa ser utilizado na prática, sendo nesse caso, verdadeiramente, inovação.
Ou seja, inovar é preciso, pois o mundo clama por inovação. 

E quanto às empresas, como elas estão inovando? Inovar através da solução de problemas é uma abordagem tipicamente de gestão de projetos praticada pelos departamentos de inovação das empresas, portanto da área de gestão e não da educação.

Nessa linha, existem algumas teorias de resolução de problemas, como, por exemplo, a conhecida pelo acrônimo TRIZ, que é descrita e exemplificada nesse excelente artigo com vários exemplos - incluindo a introdução do método ao ensino de Física.  

Estaríamos, então, num momento de fusão ou junção de conceitos educativos com administrativos nesse sentido?
Com relação aos paradigmas administrativos nas empresas, pode-se pensar em sua evolução ao longo do tempo: da revolução industrial até os anos 1960-1970, tínhamos a produção em massa - com foco na eficiência; nos anos 1980-1990, a qualidade e a produção enxuta dos japoneses, que entraram no mercado americano, era a nova onda; a partir dos anos 2000, entra em cena a inovação e a criação de valor do que é produzido.

Ou seja, a educação deve acompanhar o modo de vida da sociedade e a demanda do mercado de trabalho contemporâneos.
Então, o que o mercado pede nesse momento? Pessoas capazes de resolver problemas e inovar.

Portanto, não é uma simples coincidência que aulas por ABP sejam desejáveis, enquanto o mercado demanda inovação e resolução de problemas por projetos.

Embora, segundo um estudo de Kumar - 2013 -, 96% dos projetos de inovação fracassem, eles são absolutamente necessários e desejáveis no mundo em que vivemos. Nesse sentido, poderá ser de grande valia para a educação o envolvimento e a capacitação dos atores dessa área em ABP e inovação para que, como consequência, consigamos atingir o patamar de uma adequada preparação dos alunos desse século para o momento atual e para o futuro.

E por que esse fracasso acontece? Uma das explicações possíveis se relaciona à questão do problema estar no presente e sua solução se dar no futuro. Ou seja, há um certo grau de incerteza inerente ao projeto. Esse é, também, um dos motivos que faz com que alguns professores não se sintam à vontade em aplicar a ABP.
Num próximo momento, detalharei como funciona a ABP, incluindo seus itens mais "formais" utilizados e aceitos pelos especialistas nessa metodologia.

Concluindo: sem inovação, inclusive como modelo de negócio, será muito complicado sobreviver em diversos mercados, incluindo o da educação. 

By Prof. Carlos Sanches


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